Provavelmente formavam um só este e o opúsculo antecedente (Saudação a Santíssima Virgem), pois em diversos manuscritos o encontramos encabeçado pela rubrica: "De virtutibus quibus decorata fuit sancta Virgo Maria et debet esse sancta anima". Ele participa, portanto, da mesma autenticidade do precedente. Tem ainda a seu favor o testemunho de Tomás de Celano.
Salve, rainha Sabedoria, o Senhor te guarde com tua irmã, a santa e pura simplicidade! Senhora santa Pobreza, o Senhor te guarde com tua irmã, a santa Humildade! Senhora santa Caridade, o Senhor te guarde com tua irmã, a santa Obediência! Santíssimas virtudes, todas, guarde-vos o Senhor de quem procedeis e vindes!
Não existe no mundo inteiro homem algum que possa possuir uma de vós, sem que primeiro morra a si mesmo.
Quem possuir uma e não ofender as demais, a todas possui; e quem uma ofender, nenhuma possui e a todas ofende; e cada uma destrói os vícios e pecados.
A santa Pobreza confunde toda a cobiça e todas as suas astúcias.
A pura e santa Simplicidade confunde toda a sabedoria deste mundo e a prudência da carne.
A santa Pobreza confunde toda a cobiça e avareza e solicitude deste século.
A santa Humildade confunde o orgulho e todos os homens deste mundo e tudo quanto há no mundo.
A santa Caridade confunde todas as tentações diabólicas e da carne e todos os temores carnais.
A santa Obediência confunde todos os desejos sensuais e carnais e mantém o corpo mortificado para obedecer ao espírito e a cada Irmão e torna o homem submisso a todos os homens deste mundo, e não só a eles, senão também a todos os animais e feras, para que dele possam fazer o quiserem, enquanto o Senhor dos Céus lhes permitir.

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